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BLOG FALANDO DE DANÇA, BY LEONOR COSTA

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Manso e Leny Calassara agitando as tardes dançantes dos cariocas!


Depois do sucesso do baile com a Orquestra Tabajara, em novembro, que reuniu 800 pessoas no salão do Clube Casa da Vila da Feira, e do Baile do Branco Total, em dezembro, o casal se firma como o que mais agita as tardes dançantes dos cariocas.
Em entrevista ao Falando de Dança, Ênio Manso nos conta um pouco de sua trajetória e seus planos para 2008.


Ênio Manso dança desde 1956, no auge do rock-and-roll. “Nos tempos em que os trajes nos salões era um luxo só”, recorda o promoter, mencionando os locais mais procurados na época, alguns ainda existentes. “Havia muitos bailes, em clubes, gafieiras, bares e dancings. Os grandes bailes aconteciam no Bola Preta (Cinelândia), Banda Portugal (Praça XI), Berro das Cavernas (Senador Dantas), Democráticos (Riachuelo), Associação dos Empregados no Comércio (Centro), Crônicos Carnavalescos (Presidente Vargas), Centro Mineiro (Cinelândia), Sírio e Libanês (Botafogo), River Football Club, América Football Club (Tijuca), Clube Municipal (Tijuca) e G.R.Vera Cruz (Abolição). Esses eram os bailes freqüentados pelos melhores dançarinos. Dentre as gafieiras, as mais procuradas eram Elite da Praça Tiradentes, Elite do Campo de Santanna, Elite do Méier (apesar dos nomes, os proprietários eram diferentes), Danúbio, Irajá A.C., Sedofeita em Bento Ribeiro, e Imprensa Nacional, no Centro. Havia também os bares em que se dançava, como o Bar e Restaurante Dançante Bem, em São Conrado; Bolero, em Copacabana; e Churrascaria Madureira. Fora isso, ainda tinha os Dancings, dos quais os mais famosos eram o Avenida, o Brasil e o Eldorado. E os cabarés da Lapa mas aí já não era família”.

Ênio lembra que os ritmos mais dançados no salão eram o bolero, o samba-canção, o swing, o fox e o jazz. E se aprendia a dançar praticando, até porque quase não existiam academias de dança. “Se aprendia na pista, com os amigos, ou em aulas particulares, pois, ao que me recordo, só existia a Academia de Dança Moraes, na Praça Tiradentes”. Soltinho? “Isso não existia naquela época! Foi de 80 pra cá que começaram a dançar assim. Que eu saiba, foi Yedda Cardoso que começou a ensinar essa forma de se dançar, em sua academia, e aí todo mundo começou a dançar igual”. Idade média? Contrariamente ao que se vê hoje, a freqüência era de pessoas com 20, 30 anos. “O problema é que não houve uma renovação. Os jovens de ontem envelheceram e as novas gerações procuraram outras formas de dançar”.

A popularização da discoteca e o auge da repressão do governo militar, nos anos 70, fizeram com que os grandes bailes se esvaziassem e muitas casas fecharam as portas. A maré começou a mudar na década de 80. “Em 1983, aposentado, comecei a organizar grandes bailes, inicialmente no Atlético do Engenho de Dentro”, recorda Ênio.

Nessa época, a elegância e a postura ainda imperavam no salão. Foi na década de noventa que isso começou a mudar. Ênio credita isso ao surgimento dos dançarinos contratados, que não respeitavam as regras de etiqueta no salão. “Antes, o poder aquisitivo era até menor, as facilidades de se obter bons produtos não eram tantas. No entanto, todo o cavalheiro tinha um terno de linho, uma camisa de palha de seda, um bom sapato de couro, os homens eram mais caprichosos até por questão de se impor no salão. Depois, as damas começaram a contratar dançarinos e aí esses cavalheiros não precisavam mais se preocupar com a aparência porque já estavam ali contratados mesmos – e foram relaxando”.

Aliás, a contratação de cavalheiros, no entendimento do promoter, foi uma das causas do esvaziamento dos grandes bailes dos clubes, pois desestimulou a frequência de cavalheiros e damas desacompanhados. Embora admita que esta foi (e ainda é) a solução disponível no momento, diante da alternativa de se ficar em casa por falta de par. “Veja bem, eu não sou contra o cavalheiro de aluguel. Também não sou contra a dama que paga. Acho que tudo é válido desde que as regras sejam respeitadas, como a postura e o traje”.

Mas só isso não seria suficiente para se esvaziar os bailes. Ênio acredita também na falta de competência administrativa dos clubes. E desabafa: “Hoje, existem falsos diretores sociais, que vivem na função protegidos pelos seus presidentes de clubes. Eles não têm criatividade nem experiência. Não sabem fazer grandes bailes, como os de antigamente, como, por exemplo, ‘Uma Noite na Bahia’, ‘O Baile das Rosas’, ‘Rainha da Primavera’, ‘As Mais Elegantes’. Eram bailes que atraíam grande público, estimulavam os freqüentadores. Os diretores sociais hoje não têm conhecimento do que é ser social no clube. Eles pensam que ser social é colocar o conjunto para tocar e pronto. Não é só isso! A obrigação do diretor social é receber o público na chegada do baile, administrar o pessoal. Ao término do baile, despedir-se dos freqüentadores e convidá-los para a próxima programação. Mas a maioria não sabe fazer isso. O promoter organiza o baile, mas está ligado ao departamento social, não é essa sua função. O diretor social tem obrigação de tratar a todos que vêm ao baile com gentileza, ele representa o clube, tem que ter contato com o público, saber identificar o que está errado”.

Apesar das dificuldades, Ênio e Leny amam o que fazem e procuram cativar os freqüentadores de todas as formas, com bingos, bebida de cortesia, sorteios e até o já famoso caldo verde que oferecem no Clube Casa da Vila da Feira. Ou torneios, como o de dança de salão para damas da terceira idade, realizado em outubro passado, no qual o casal premiou a primeira colocação com R$ 1 mil reais em dinheiro (na segunda foto do alto, o casal de promoters e o casal ganhador). Fora os bailes temáticos que sempre estimulam o público, como o recente Baile do Branco Total, em que sua autoridade foi decisiva para não permitir a entrada de quem não estivesse com o traje pedido no convite. “Prefiro recusar uma entrada a comprometer a tradição e o alto nível do baile”, declarou o promoter, que impediu a entrada de convidados com trajes coloridos (nem bicolor, nem marfim, foi branco mesmo), tênis e camisetas. E isso numa noite em que chovia canivetes no Rio de Janeiro. Em compensação, quem estava dentro das regras, divertiu-se satisfeito com a consideração do anfitrião em não abrir exceções.

Para 2008, os promoters planejam um novo baile, para um público mais seleto. “Não adianta popularizar o valor do ingresso e deixar cair a qualidade porque, mais adiante, isso comprometerá o futuro do evento”, diz Ênio, que pensa em batizar o novo baile com a sugestiva expressão “Vem quem pode e não quem quer”. E promete ser ainda mais exigente na apresentação dos dançarinos. “Faço aqui um apelo para que os cavalheiros freqüentem os bailes asseados, barbeados, em traje esporte fino. E também peço às damas que exijam de seus contratados uma aparência mais caprichada, valorizando o baile e a si mesmas. Afinal, quem paga pode exigir”.
  • Saiba mais sobre os eventos de Ênio e Leny clicando em seus nomes no índice das postagens.

2 comentários:

Cristiano Santos disse...

Hoje seria aniversário da grandiosa Yedda Cardoso, minha eterna mestra

Cristiano Santos disse...

Hoje seria aniversário da grandiosa Yedda Cardoso, minha eterna mestra

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