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BLOG FALANDO DE DANÇA, BY LEONOR COSTA

terça-feira, 19 de junho de 2007

A dança na mídia

Dança dos famosos IV acaba em barraco

Bem, uma vez me disseram que manchete dizendo que cachorro mordeu uma criança não vende tanto jornal quanto dizer que uma criança mordeu um cachorro. Portanto, não resisti e experimentei aqui um título sensacionalista para chamar sua atenção, leitor (rs).

Mas o fato é que de todas as etapas que assisti desse quadro esta, que escolheu o casal campeão, por pouco, pouco não terminou em barraco mesmo.

Aliás este foi o assunto que agitou hoje algumas comunidades de dança do Orkut, como a comunidade Dança de Salão RJ (link ao final desta matéria).

Isso porque Carlinhos de Jesus, que, diga-se de passagem, é o que mais polemiza quando participa como jurado técnico do programa, decidiu levantar uma discussão justo no momento final da competição. Quis o destino (ou a produção do programa) que ele, que sempre argumentou a respeito da postura dos casais concorrentes e (veneninho circulando na net) tinha um componente de sua cia de dança como finalista, ficasse por último para dar a nota decisiva. E se apegou a uma regra que, conforme foi confirmado por todos (e até o próprio já a relevara em outros julgamentos seus), não estava sendo considerada no jogo, que era respeitar o espaço demarcado no piso.

Daí, como o ser humano dificilmente consegue ser imparcial – ainda pra mais movido pela emoção de uma competição onde se está julgando menos a técnica e mais a superação – os comentários ficaram divididos em duas posições majoritárias.


Uma parte da comunidade da dança achou que ele visivelmente se apegou a essa regra do espaço de dança (que, repito, não era regra ali) para justificar a nota baixa que se preparava para dar ao casal formado por Priscilla Amaral e Rodrigo Hilbert (foto acima), beneficiando assim o casal Elaine Mickely e Átila Amaral (foto ao lado), este último de sua cia de dança. Diante da reação da platéia, do Faustão e até dos outros jurados técnicos, a saída, para não dar o braço a torcer, foi dar nota 9, o que permitiu que Hilbert fosse o famoso a levar o troféu de campeão. Aborrecido com a interferência em seu julgamento, chegou a destratar a jurada técnica ao seu lado, dizendo que “ela nem da dança de salão era”. Daí, nenhuma novidade, pois o único da dança de salão ali era ele.

Já outra parte da comunidade da dança achou que os comentários dele foram válidos, já que ele era o único entendido no assunto. E que ele foi destratado injustamente pelo apresentador e pelos colegas jurados. Aí sucedem-se as argumentações contra o programa e o apresentador, as acusações de “cartas marcadas” e outros comentários não ligados especificamente ao episódio mas à forma como a comunidade da dança vê esse tipo de competição na tv, com as inevitáveis adaptações (ou distorções) para tornar as apresentações mais “palatáveis” para o público leigo.

Sim, porque não se vá querer que o público da poltrona, só agora se familiarizando com esse tipo de competição, vá manter-se sintonizado naquela estação se os jurados começarem a dar aulas teóricas sobre o que está didaticamente/tecnicamente correto ou não nas apresentações (aliás já seria difícil encontrar meia dúzia de bons professores de salão que se adaptasse à linguagem televisiva para exercer esse papel...).

Também é ser muito exigente e “desmancha prazer” querer que os famosos realmente conduzam ou sejam conduzidos como normalmente nós, dançarinos de salão, estamos acostumados a ver. Afinal, trata-se de um show, com a finalidade de divertir e vender espaço publicitário.


Sempre é bom lembrar que dança na TV sempre existiu, assim como cenas de dança de salão em novelas. Mas a adaptação de “reality shows” de dança de sucesso internacional foi uma novidade que trouxe um destaque permanente na mídia para essa arte. E a Globo soube muito bem adaptar o formato internacional ao gosto nacional. A Dança dos Famosos registrou audiências acima de 40 pontos e é considerada um dos maiores sucessos dos últimos anos do Domingão. De repente, nossos profissionais de dança ganharam a chance de mostrar seu trabalho em rede nacional e muitos foram contratados como coreógrafos, assistentes e figurantes de vários programas e novelas. Embora, repito, isso já acontecesse antes da chegada desses formatos de programas, depois deles a dança de salão ficou (está) tendo uma evidência bem maior, com benefícios indiscutíveis para nossos profissionais. E até para nós, praticantes, vistos como “seres de outro século” pela grande maioria da população.

Isso para não falar dos artistas competidores, que ganharam grande projeção. Que o diga Serjão Loroza, que não perdia a oportunidade de promover seu CD. Ou a cantora Fafá de Belém, dando “canja” em toda a oportunidade. Competidor em edição anterior do quadro, o ator Stepan Nercessian, por exemplo, declarou numa entrevista que estava se sentindo um astro da música sertaneja, sendo assediado para tirar fotos e dar autógrafos.

Mas não pensem que o sucesso com o ibope convencerá os famosos a continuar na dança de salão. Perguntado sobre o que iria mudar na sua vida após ter ganho a competição, o ator Rodrigo Hilbert respondeu: “a estante lá de casa vai ter mais um troféu”!

Assista a seguir a apresentação de tango de Rodrigo Hilbert e Priscilla Amaral, que foi o “pomo da discórdia”, postada pelo blog Tevê Aberta, com a parte do barra..., digo, comentários dos jurados.



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Um comentário:

jotabearaujo disse...

Participei da polêmica no Orkut, mais sobre a forma desse programa na Globo. Sabemos que, na TV, sempre tem um jurado bonzinho e o outro mau. Às vezes, eles se revezam, como vimos recentemente em programa semelhante no SBT, onde, aliás, o Jaime Arôxa engoliu em seco certos comentários não muito apropriados, do próprio Silvio Santos. Concordo que o programa promove os participantes(e muito, em alguns casos de coreógrafos). Então passemos, como já venho fazendo, a ou não assistí-lo, ou vê-lo para torcer pelos conhecidos, com indulgência por parte dos dançarinos mais avançados ou aprendizado para os mais novos. Um abraço.

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